Uso de celular corporativo para envio de mensagens discriminatórias gera justa causa

Notícias • 13 de Julho de 2026

Uso de celular corporativo para envio de mensagens discriminatórias gera justa causa

A 3ª Vara do Trabalho de São Caetano do Sul-SP manteve justa causa aplicada a vendedor interno em virtude de troca de mensagens com insinuações sexuais em face de colegas do sexo feminino, ofensas graves a superiores hierárquicos, piadas de cunho racista e comentários depreciativos em relação a outros empregados. De acordo com os autos, as conversas foram realizadas por meio de aparelho celular corporativo.

A empresa teve ciência do diálogo durante um afastamento do reclamante, quando uma analista administrativa acessou o celular usado por ele e identificou as mensagens. Segundo a ré, em casos de ausência, a colega assume o atendimento a clientes. Na ocasião, a analista encaminhou o caso à gerência e, posteriormente, ao departamento jurídico, que opinou pela dispensa por justa causa.

Em depoimento, a profissional relatou que nas mensagens trocadas havia comentários sobre vendedoras do estabelecimento, chamadas por termos como "selvagem", "danada" e "pantera". Contou também que havia trechos que mencionavam a necessidade de um homem na residência da gerente da área, e a existência de comentário homofóbico acompanhado de foto de outro empregado.

Na sentença, o juiz João Felipe Arrigoni pontuou que "as conversas envolvendo o reclamante e outros colegas são totalmente incompatíveis com o decoro requerido em um ambiente de trabalho". Acrescentou que ficou comprovado que o diálogo ocorreu mediante utilização de celular corporativo. E, considerando a prova documental, que incluía mensagens e fotos que ensejaram a dispensa, e os depoimentos colhidos, avaliou que a parte autora praticou falta grave.

Citando jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o magistrado explicou que não se pode alegar que o teor das conversas seria protegido pelo direito à intimidade, pois ocorreram em celular de propriedade da empresa, ferramenta de trabalho, "em relação à qual o pólo empregador possui poder de ingerência, diferentemente do celular pessoal do trabalhador".

Pendente de análise de recurso.

Processo : 1000462-86.2026.5.02.0473

FONTE: TRT-2 (SP)

César Romeu Nazario

OAB/RS 17.832

Veja mais publicações

Notícias Receita Federal edita e publica nova solução de consulta incluindo a supressão ou redução do intervalo intrajornada na base de cálculo da contribuição previdenciária
01 de Novembro de 2023

Receita Federal edita e publica nova solução de consulta incluindo a supressão ou redução do intervalo intrajornada na base de cálculo da contribuição previdenciária

A edição do Diário Oficial da União conteve em sua publicação do dia 01 de novembro de 2023 a...

Leia mais
Notícias Turma mantém validade de filmagem como prova para justa causa de motorista
30 de Junho de 2016

Turma mantém validade de filmagem como prova para justa causa de motorista

A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu do recurso de um motorista de caminhão da Casa Pinto Ltda., de Alfenas (MG), que...

Leia mais
Notícias Assédio sexual pode ser caracterizado mesmo em episódio único de piada no trabalho
06 de Março de 2026

Assédio sexual pode ser caracterizado mesmo em episódio único de piada no trabalho

Técnica foi dispensada depois de denunciar o caso A profissional foi contratada em agosto de 2023 e enviada para uma das obras da empresa...

Leia mais

Assine a nossa newsletter e receba direto no seu e-mail nossas novidades.

Contato

Para enviar uma mensagem, preencha o formulário ao lado. Se você preferir, mande um e-mail para:

contato@nazarioadvogados.com.br

51 99102-4836

51 3594-6682