Administrador não empregado

Notícias • 23 de Agosto de 2019

Administrador não empregado

Atualmente, as sociedades limitadas são regidas pelo Código Civil de 2002. Com relação à sua administração, o CC permitiu aos sócios, no art. 1061, a possibilidade de atribuirem a terceiros não sócios a gestão da sociedade empresarial. Assim dispôs a referida norma:

“A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização.”

A doutrina e jurisprudência entendem que para designar um administrador não empregado é necessário que esteja expresso no contrato social essa possibilidade. O silêncio do contrato importa na vedação de colocação de terceiros não sócios na administração.

No tocante ao quorum de aprovação do ingresso de terceiro na administração, haverá a necessidade de votos favoráveis da unanimidade dos sócios, enquanto não integralizado o capital. Se já integralizado, todavia, é necessária a aprovação de, pelo menos, dois terços dos sócios. Registre-se que o legislador, ao estabelecer a necessidade de votos de dois terços, não está se referindo ao número de votantes, e sim, à fração de capital social representado por cada sócio.

Com relação à natureza jurídica do vínculo entre a empresa e o administrador não sócio, há que se ressaltar que trata-se do cargo mais alto da sociedade, não podendo haver subordinação entre o administrador e os sócios quotistas. Em caso de restarem configurados os requisitos que caracterizam a relação empregatícia, quais sejam, trabalho por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, o vínculo se sujeitará à legislação trabalhista.

Caso contrário, a remuneração recebida pelo administrador não sócio terá a natureza de pro labore, ou seja, remuneração pelos esforços envidados.

No que tange às questões previdenciárias, tendo em vista a natureza jurídica citada anteriormente, o administrador não sócio é enquadrado como contribuinte individual perante o Regulamento da Previdência Social, senão vejamos a redação do art. 9º, inciso V, alínea “h” do Decreto 3.048/99, que define como contribuinte individual:

“o sócio-gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho e o administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou rural”

No que concerne às contribuições previdenciárias, incidirá sobre tal percepção a mesma disciplina sobre a remuneração do pro labore dos administradores sócios, ou seja, o contribuinte individual deve pagar 11% sobre a sua remuneração e a empresa deve recolher 20% sobre o total das remunerações pagas a título de pro labore

César Romeu Nazario

OAB/RS 17.832

Veja mais publicações

Notícias Contribuições Sociais Previdenciárias
06 de Maio de 2020

Contribuições Sociais Previdenciárias

Solução de Consulta SRFF01 nº 1.002, de 29.04.2020 – DOU de 06.05.2020 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO...

Leia mais
Notícias Gravação de conversa feita por motorista de caminhão é admitida para comprovar pagamento por fora
06 de Setembro de 2023

Gravação de conversa feita por motorista de caminhão é admitida para comprovar pagamento por fora

Para a 3ª Turma, a medida não afronta o devido processo legal A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho considerou lícita uma gravação...

Leia mais
Notícias Profissional impedida de retornar ao trabalho após alta previdenciária deve ser indenizada
21 de Fevereiro de 2025

Profissional impedida de retornar ao trabalho após alta previdenciária deve ser indenizada

Sentença proferida na 11ª Vara do Trabalho da Zona Sul-SP condenou empresa de alimentos e bebidas a pagar indenização de...

Leia mais

Assine a nossa newsletter e receba direto no seu e-mail nossas novidades.

Contato

Para enviar uma mensagem, preencha o formulário ao lado. Se você preferir, mande um e-mail para:

contato@nazarioadvogados.com.br

51 99102-4836

51 3594-6682