Reforma Trabalhista – Nova CLT e mínimo a R$ 4,40 por hora devem beneficiar empresas em 2018

Notícias • 13 de Setembro de 2017

Reforma Trabalhista – Nova CLT e mínimo a R$ 4,40 por hora devem beneficiar empresas em 2018

Com a criação do trabalho intermitente, pagamento por período pode crescer; para especialista consultado pelo DCI, nova lei favoreceria os contratantes, mas prejudicaria funcionários no país

O salário mínimo por hora deve chegar a R$ 4,40 em 2018, acompanhando o aumento previsto pelo governo para o piso do mês, que deve subir 3,4% e alcançar os R$ 969.

A base por hora corresponde ao mínimo mensal dividido por 220, o máximo de horas que uma pessoa pode trabalhar por mês no País, explica Otávio Pinto e Silva, sócio do setor trabalhista do escritório Siqueira Castro.

Com a entrada em vigor da reforma na CLT, que cria a figura do trabalho intermitente, o pagamento por período de serviço, que já existe hoje, pode ganhar força. Isso porque a novidade na lei permite às empresas desenhar contratos de trabalho não contínuo, com a alternância de períodos de atividade e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses.

De acordo com os especialistas consultados pelo DCI, a combinação de um salário mínimo por hora baixo com o trabalho intermitente deve ser positiva para os contratantes, mas pode prejudicar os trabalhadores.

“Essa possibilidade de contrato vai deixar as empresas muito felizes, especialmente aquelas que possuem uma demanda sazonal”, diz Juliana Bracks, professora de direito trabalhista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Por outro lado, segue ela, os trabalhadores podem encontrar situação de maior insegurança. “O funcionário contratado poderá ser chamado para trabalhar cinco horas por dia, duas horas ou nenhuma. Tudo vai depender da necessidade da companhia.”

Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV), Bruno Ottoni defende o novo modelo de trabalho. “Muitas pessoas já estão inseridas nesse formato, mas não são regularizadas. Com a reforma [na CLT], a lei vai permitir que elas façam parte do mercado formal e tenham mais direitos”, diz ele.

Para efeito de comparação, o piso nacional por hora dos Estados Unidos, país que inspirou boa parte das mudanças na legislação brasileira, é de US$ 7,25, cinco vezes o valor brasileiro. Entretanto, grande parte dos estados americanos estabelece quantias maiores. Na Califórnia, por exemplo, o mínimo é de US$ 10,50, sete vezes o piso que será visto no Brasil, se for aprovada a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece o piso para o ano que vem.

Ainda sobre o salário mínimo, Silva lembra que uma empresa não pode pagar, para o funcionário contratado por hora, uma quantia proporcionalmente menor àquela recebida pelos empregados que realizam a mesma função e são contratados por mês.

Polêmicas na reforma

Os especialistas também citam outros pontos polêmicos trazidos pela reforma trabalhista, sancionada em julho pelo presidente Michel Temer.

“A reforma foi pouco discutida e precisa de ajustes”, diz Silva. Um dos pontos que pode ser alterado, afirma ele, diz respeito à cobrança de custos do processo e de honorários advocatícios de pessoas pobres. O item já foi questionado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Juliana segue a mesma linha. “Sou favorável à reforma, mas ela tem muitos pontos polêmicos”. Exemplos disso, diz a entrevistada, são a retirada do período de deslocamento do cálculo da jornada de trabalho e a possibilidade de mulheres grávidas trabalharem em condição insalubre com a apresentação de atestado médico.

Fonte: DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

 

Veja mais publicações

Notícias TST afasta prescrição em ação sobre doença descoberta 20 anos após rescisão
24 de Abril de 2018

TST afasta prescrição em ação sobre doença descoberta 20 anos após rescisão

Nos caso de doença relacionada ao trabalho, a contagem do prazo prescricional inicia a partir da manifestação da doença, e não da extinção do...

Leia mais
Notícias Toffoli volta atrás e anula trânsito em julgado para reconhecer vínculo de emprego
05 de Julho de 2024

Toffoli volta atrás e anula trânsito em julgado para reconhecer vínculo de emprego

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, voltou atrás em seu próprio posicionamento para anular o trânsito em...

Leia mais
Notícias Indústria de brinquedos é condenada por irregularidades no ambiente de trabalho em MS
27 de Junho de 2024

Indústria de brinquedos é condenada por irregularidades no ambiente de trabalho em MS

Acidente fatal e conduta habitual de não acompanhar ou exigir a observância de medidas de segurança e saúde pelas...

Leia mais

Assine a nossa newsletter e receba direto no seu e-mail nossas novidades.

Contato

Para enviar uma mensagem, preencha o formulário ao lado. Se você preferir, mande um e-mail para:

contato@nazarioadvogados.com.br

51 99102-4836

51 3594-6682